Casa Urucum
location > Furnas - MG
project > jan. 2021
completion > november. 2022
site area >81m²
built area > 5000m²
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architecture > Om arquitetos
architect > Marina Castanheira
architect > Isaac Amir
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project team > > Leandro Quirino
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publications > behance
medium
render > Gabriel meneguci

Implantada delicadamente em meio à vegetação tropical de Furnas, a Casa Urucum nasce como um abrigo contemporâneo desenhado para desacelerar o tempo. Seu volume compacto, revestido pelo vermelho intenso inspirado no urucum, emerge na paisagem como um marco sensorial: uma presença quente entre os verdes profundos da mata, quase como um farol silencioso de acolhimento e permanência.
Mais do que uma residência, a casa foi concebida como experiência. Um espaço onde arquitetura, natureza e cotidiano se entrelaçam através da luz, da ventilação, das texturas e das pausas.
A composição arquitetônica parte de uma linguagem simples e honesta, onde cada elemento possui função climática e sensorial. As treliças móveis que envolvem a construção funcionam como uma segunda pele: filtram a incidência solar, permitem ventilação cruzada constante e criam diferentes graus de abertura entre interior e exterior. Ao longo do dia, a luz atravessa essas tramas desenhando sombras mutáveis sobre pisos e paredes, transformando o espaço em um organismo vivo, em permanente diálogo com o tempo e com a paisagem.
No térreo, a arquitetura se abre de forma generosa e acolhedora. Sala de jantar, cozinha e varanda conformam um único ambiente fluido, pensado para o encontro e para a convivência. A mesa oval ocupa o centro da sala como um elemento de permanência — um convite aos longos cafés, às conversas lentas e aos rituais cotidianos compartilhados.
A cozinha, organizada em uma composição linear e precisa, traduz funcionalidade sem perder a dimensão afetiva do habitar. Ao lado, um dormitório flexível amplia as possibilidades de uso da casa: espaço para hóspedes inesperados, um pequeno ateliê silencioso ou um ambiente de recolhimento para quem deseja viver a casa em diferentes ritmos.
Toda essa área social se dissolve na varanda, protegida pelas treliças e aberta para a vegetação ao redor. O limite entre arquitetura e paisagem torna-se quase imperceptível. O verde invade os interiores enquanto a casa se projeta suavemente para fora, permitindo que o entorno seja parte ativa da experiência espacial.
No pavimento superior, o ritmo desacelera ainda mais. A atmosfera torna-se íntima, silenciosa e contemplativa. A suíte principal ocupa posição estratégica, orientada para enquadrar a paisagem como uma obra viva em constante transformação. A cama repousa diante das vistas filtradas pela vegetação, enquanto a banheira recebe a luz suave da manhã, transformando o banho em um ritual cotidiano de contemplação.
O closet organiza discretamente a transição entre quarto e banheiro, preservando fluidez e funcionalidade sem excessos. Já a área de bancada independente amplia o uso simultâneo do espaço íntimo, reforçando a delicadeza dos gestos cotidianos.
A Casa Urucum se constrói em camadas de experiência. O social se expande; o íntimo se recolhe. Entre ambos, a circulação atua como uma transição coreografada entre luz, sombra, matéria e paisagem. Cada abertura foi desenhada não apenas para iluminar ou ventilar, mas para enquadrar fragmentos específicos da natureza, permitindo que o exterior seja constantemente percebido de maneira sensível e silenciosa.
A intensa tonalidade vermelho-urucum não surge apenas como escolha estética, mas como manifestação conceitual da própria essência do projeto: calor, terra, presença e vitalidade. Um gesto cromático que transforma a residência em um elemento vivo dentro do território natural que a abriga.
A Casa Urucum propõe uma arquitetura de refúgio — contemporânea, tropical e profundamente conectada ao entorno — onde o habitar acontece através da contemplação, da simplicidade e da reconexão sensível entre corpo, espaço e natureza.








