MUSEU IMPERIAL _ CASA GEYER
location >Rua Conselheiro Lampreia, 70 - Cosme Velho - Rio de Janeiro - RJ
project > jan. 2022
completion > november. 2025
site area >1.300m²
built area > 4.500m²
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architecture > MT Arquitetos
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project team >
Cemope
CGE engenharia
Integrar Climatização
Noemia Barradas
Museo
Om Arquitetos
PVDI
Sônia Salcedo
Studio Eduardo Barra
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Produção>> Artepadilla
Patrocínio>> UNIPAR
Realização:
Museu Imperial
Sistema Brasileiro de Museus
IBRAM
Secretaria Especial de Cultura
Ministério do Turismo
Governo Federal

Entre o verde intenso do Cosme Velho, o curso silencioso do rio Carioca e a presença monumental do Cristo Redentor, a Casa Geyer ressurge como um espaço de preservação, memória e reencontro entre patrimônio, arte e paisagem. Mais do que a transformação de uma antiga residência em museu, o projeto propõe um delicado exercício de continuidade: conservar a essência de um lugar profundamente simbólico enquanto o prepara para novos usos, novas vivências e novos públicos.
Originalmente residência do casal Maria Cecília e Paulo Geyer, a casa foi generosamente doada ao Museu Imperial juntamente com a célebre Coleção Geyer — um dos mais relevantes acervos privados de Brasilianas do país, composto por obras que eternizam a construção imagética da paisagem brasileira ao longo da história.
Inserida em um terreno de aproximadamente 4.500 m², atravessado pelo rio Carioca e envolto por jardins exuberantes, a propriedade possui valor arquitetônico, histórico e afetivo singular. A antiga casa senhorial do período cafeeiro, preservada em âmbito municipal, carrega não apenas a memória de seus antigos moradores, mas também a permanência material de uma arquitetura carioca integrada à natureza.
O desafio do projeto nasce justamente desse encontro entre preservação e transformação. Como converter uma residência privada em um museu contemporâneo capaz de acolher exposições, pesquisa, atividades culturais e circulação pública sem perder a delicadeza doméstica e a relação íntima com a paisagem?
A resposta surge através de uma arquitetura de transição cuidadosa, onde cada intervenção busca dialogar com o existente sem competir com ele.
As obras de requalificação priorizam a recuperação das fachadas, telhados e elementos originais da casa principal e do pavilhão, preservando sua identidade arquitetônica enquanto atualizam sua infraestrutura para as exigências museológicas contemporâneas. Mais do que restaurar, o projeto procura revelar camadas históricas e valorizar a atmosfera sensível do lugar.
A presença do rio Carioca — elemento natural tombado e determinante para o terreno — orienta grande parte das decisões projetuais. Sua faixa de proteção inviabiliza expansões convencionais e conduz a proposta para uma solução mais integrada à paisagem: um novo edifício de apoio, implantado de forma estratégica e silenciosa, responsável por receber as funções complementares necessárias ao funcionamento do museu contemporâneo.
Esse novo volume não apenas organiza acessos e fluxos, mas redefine a experiência de chegada. O percurso arquitetônico passa a ser também um percurso de descoberta: da mata ao jardim, do rio à arquitetura, da paisagem ao acervo. O visitante é conduzido gradualmente até a Casa Geyer, permitindo que o espaço seja revelado em camadas, quase como uma narrativa construída entre natureza, memória e arte.
A proposta amplia a área construída existente de 850 m² para aproximadamente 1300 m², integrando disciplinas fundamentais para a complexidade do projeto museológico: museografia, climatização especializada, paisagismo, estruturas e instalações cuidadosamente compatibilizadas para preservar tanto o patrimônio arquitetônico quanto as obras de arte abrigadas no local.
Ao mesmo tempo, o projeto mantém viva uma das premissas mais importantes deixadas pelo casal Geyer: a permanência das obras dentro da própria casa. Assim, o museu preserva não apenas o acervo, mas também a relação afetiva entre coleção, arquitetura e paisagem, mantendo a sensação de intimidade e contemplação que sempre definiu o lugar.
Mais do que um equipamento cultural, a nova Casa Geyer propõe uma experiência de permanência sensível. Um museu onde arquitetura e natureza coexistem em equilíbrio, onde os jardins funcionam como extensão das galerias e onde a memória brasileira pode ser vivida através da caminhada, da contemplação e da descoberta.
A Casa Geyer reafirma a arquitetura como instrumento de preservação cultural e transformação pública — uma intervenção que respeita o passado sem interromper o futuro, permitindo que um patrimônio antes privado se torne experiência coletiva, acessível e viva para a cidade do Rio de Janeiro.












