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BANHEIRO DO INFLUENCER CASACOR|RP

location > ribeirão preto SP
project > jan. 2019

site area > 4 sqm
built area > 4 sqm
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architecture > Om arquitetos
architect > Marina Castanheira
architect > Isaac Amir
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publications >
behance

/>site oficial da CASACOR (lista de 27 banheiros destacados)
menciona o “Banheiro Influencer” com descrição do conceito
“Do Ego ao Eco”

Lucenera, portfólio da OM Arquitetos, com ficha técnica e autoria
lucenera.com.br

Estadão (em matéria sobre os ambientes da CASACOR RP 2019),
com citação do nome do projeto, conceito e materiais

Cartão de Visita News (R7), com destaque especial ao
espaço para influencers, detalhando aspectos de sustentabilidade
e design

​Concebido para a CASACOR Ribeirão Preto 2019, o Banheiro do Influencer nasce como uma reflexão sobre o tempo contemporâneo e as contradições entre hiperconectividade, consumo e responsabilidade ambiental. Em um momento em que a tecnologia redefine comportamentos, relações e percepções de mundo, o projeto propõe um questionamento silencioso: até onde o indivíduo está disposto a compreender o impacto de suas escolhas sobre o planeta e sobre as futuras gerações?

Partindo do conceito Do Ego ao Eco, o ambiente transforma um espaço íntimo em uma experiência sensorial e imersiva, onde arquitetura, arte, sustentabilidade e tecnologia coexistem em tensão e equilíbrio. Mais do que um banheiro, o projeto funciona como uma narrativa espacial construída em três momentos, curiosidade, despertar e conscientização ,conduzindo o visitante por uma experiência de introspecção e percepção coletiva.

Em apenas quatro metros quadrados, a arquitetura abandona a ideia tradicional de funcionalidade e assume caráter provocativo e emocional. O espaço se expande através de superfícies reflexivas, jogos de luz e continuidade visual, dissolvendo limites físicos e criando uma atmosfera quase infinita.

As paredes recebem uma pintura artística em ombré assinada pela artista plástica Eunice Costa, onde tons suaves de cinza evoluem para azuis profundos até alcançar o preto absoluto. O degradê cria a sensação de ausência de teto, como se o ambiente se abrisse para a imensidão do universo. A espacialidade torna-se abstrata, silenciosa e contemplativa, um lembrete da pequenez humana diante da dimensão do planeta que habitamos.

No centro do projeto, a tecnologia deixa de ser apenas ferramenta e passa a atuar como linguagem crítica. O espelho interativo utiliza automação para exibir imagens relacionadas ao aquecimento global, poluição, desmatamento e degradação ambiental, interrompendo a experiência cotidiana do usuário com um instante de confronto e reflexão. O visitante deixa de ocupar apenas a posição de espectador e passa a fazer parte da narrativa.

A materialidade do ambiente reforça esse discurso através da escolha consciente dos elementos construtivos. Toda a madeira utilizada no projeto foi reaproveitada da edição anterior da CASACOR, ressignificando materiais que antes permaneceriam descartados. O reuso deixa de ser apenas estratégia sustentável e torna-se gesto conceitual.

A inovação aparece também na seleção dos revestimentos e tecnologias aplicadas. O porcelanato de última geração reproduz a aparência da ardósia natural com menor impacto ambiental, enquanto as lâminas ultrafinas de pedra natural permitem flexibilidade e otimização do material através de processos industriais de alta precisão. Cada escolha busca reduzir desperdícios sem abrir mão da experiência estética e tátil.

Dentro do box revestido em madeira, três espelhos posicionados estrategicamente no piso, teto e lateral criam uma espécie de cápsula introspectiva. Esse espaço simbólico representa um instante de suspensão: passado, presente e futuro coexistem em reflexos infinitos, convidando o visitante a refletir sobre suas próprias decisões e permanências.

A presença vegetal surge de maneira delicada e quase simbólica através da kokedama suspensa, técnica japonesa em que a planta cresce envolvida por musgo, substrato e argila. Suspensa no ar, ela representa a fragilidade dos ecossistemas naturais diante do consumo excessivo e da destruição ambiental. Um pequeno elemento vivo capaz de condensar toda a tensão conceitual do projeto.

O ambiente também abriga peças de design e arte que reforçam a relação entre experimentação e consciência. A luminária tecnológica Flying Flames, do designer alemão Ingo Maurer, introduz leveza e inovação ao espaço. O banco Pietro, de Paulo Alves, aproxima o projeto da materialidade brasileira, enquanto a obra O Ego, assinada por Isaac Amir especialmente para o ambiente, sintetiza visualmente o conceito central do projeto.

Entre os elementos autorais, destaca-se ainda a mesa de apoio PiLAR, desenvolvida exclusivamente para a mostra a partir dos resíduos gerados pela própria construção do banheiro. O objeto simboliza a continuidade dos ciclos materiais e reforça a ideia de que arquitetura e design podem atuar como agentes de regeneração e reaproveitamento.

Ao final da mostra, todos os materiais utilizados foram destinados à reutilização em novos projetos do escritório, ampliando o discurso sustentável para além do espaço expositivo e transformando a desmontagem em continuidade construtiva.

No Banheiro do Influencer, sustentabilidade não aparece como estética superficial, mas como posicionamento crítico e sensível. A arquitetura deixa de ser apenas cenário e passa a atuar como ferramenta de consciência, questionando a relação contemporânea entre imagem, consumo e permanência.

Entre espelhos, reflexos, tecnologia e silêncio, o projeto propõe uma pergunta inevitável: se este é o único planeta que pode ser nossa casa, estamos realmente fazendo as escolhas certas?

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